Acho lamentável que uma discussão como a que ocorreu entre Pitty e Anitta no Altas Horas, na madrugada de hoje, 07/12/14, seja levada a um nível de xingamentos e desrespeito como tenho visto.
É também nas discussões que refletimos sobre nossas opiniões e mudamos ou reforçamos pensamentos. Pitty teve experiências na vida que a fizeram pensar dessa forma e o mesmo aconteceu com Anitta.
Eu discordo de Anitta porque minhas experiências me fazem perceber que homens e mulheres não são vistos e tratados antes como seres humanos e sim como gêneros distintos e com papéis e permissões bem demarcados na sociedade. Mas isso não me faz melhor que ela ou que qualquer um que pense diferente.
Estou admirando Pitty pela forma como expôs sua opinião, sem depreciar ou desrespeitar Anitta pela divergência e incoerência de seu discurso. Bom seria se as pessoas alimentassem as discussões de forma que isso as aproximassem de outras e não as separassem ainda mais do que já estão pelo fato de terem opiniões distintas.
Isso me faz pensar em Pedagogia da Autonomia (com permissão para usar o "x" para representar todxs):
Se discrimino..., não posso evidentemente escutá-lxs, e se não xs escuto, não posso falar com elxs, mas a elxs, de cima para baixo. Sobretudo, me proíbo entendê-lxs. Se me sinto superior ao diferente, não importa quem seja, recuso escutá-lo ou escutá-la. O diferente não é o outro a merecer respeito, é um isto ou aquilo, destratável ou desprezível. Se a estrutura do meu pensamento é a única certa, irrepreensível, não posso escutar quem pensa e elabora seu discurso de outra maneira que a minha... (Paulo Freire 2011, p 118).
Acho que isso deveria servir para vários lados, não apenas para quem pensa como Anitta ou como Pitty, e sim para quem se permite (re)pensar.