segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Macaco? Racismo? Onde?

Estudando sobre raça, cor, etnia e movimento negro me deparo com uma notícia sobre o caso Aranha. A história não nos deixa negar que chamar uma pessoa negra de macaca, não tem o mesmo que efeito que dizer o mesmo para uma pessoa branca. Ouvi um comentário a favor da "pena" que a classificava como educativa. Ela chamou o goleiro do time rival de macaco no estádio e foi condenada a comparecer à delegacia 1h antes dos jogos do grêmio e lá ficar até o final da partida durante 10 meses.Talvez seja "penoso" mesmo já que o grêmio é a paixão dela e no calor da emoção junto com a galera "vale tudo", até chamar alguém de macaco, mesmo sem ser racista. Me pergunto que educação é essa? Quantos anos tem essa pessoa? Como educar nesse contexto? Eu entendo que diante de uma situação dessas podemos ignorar ou denunciar e cobrar providências, ambas envolvem o risco de fortalecer o "racismo" a depender de quem está do outro lado. Ignorar pode até enfraquecer o racismo por um tempo. Ao perceber que não teve o efeito desejado de nada adianta continuar. Mas também pode fortalecer, se não funcionou imitando um macaco, vamos gritar "macaco", vamos jogar bananas nele, vamos riscar o carro dele com a palavra "macaco" e se não for com quem ignorou td isso, será com outro negro, em outro momento. Denunciar e cobrar providências também é arriscado porque se a "pena" não for "educativa" o suficiente para inibir outros atos, não vai adiantar muito. Com todos os riscos, se é que eu posso chamar assim, eu ainda prefiro NÃO calar, nem sempre por mim, mas tbm por quem não consegue ser ouvido ou não tem força suficiente para afastar de si esse mal. Lamento que ela esteja experimentando do mesmo veneno, pois como ela disse, "foi no calor da emoção". E é pela emoção que está sendo ameaçada e tendo sua vida revirada. Espero que esse acontecimento traga muito amadurecimento a quem escolheu se envolver com ele do que violência. Que ela possa voltar pra casa e pra sua família assim como o homem que ela chamou de macaco voltou. Talvez essa sim seja a sua maior "pena", e que ela não paga sozinha pq sofrem com ela a família e os amigos. Por via das dúvidas, não chame mais ninguém de macaco, nem negro, nem branco, nem o próprio macaco.

Vídeo da entrevista "medonha" com Fátima Bernardes no programa da Rede Globo "Encontro" https://www.youtube.com/watch?v=FXEbAt-Hugo

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